Vidas Reais

segunda-feira, julho 03, 2006

I only got this situation

Riscos brancos aparecem de dois em dois segundos dividindo o fio cinzento em dois caminhos, o que vai e o que vem.
Não vem ninguém e eu sou o unico a ir, neste carro que já teve dois donos que eu nunca vi, e cujo ar condicionado só funcionava com o meu vidro aberto. O vidro só se conseguia abrir se eu com uma mão rodasse o manipulo e com outra empurasse o vidro para cima, foi isso que fiz assim que entrei.
Os buracos no banco do carro fazem-me adivinhar o passado fumador do antigo dono do carro.
Será que ele fez viagens como esta? Será que viu o que vejo?
Vejo o céu a querer ficar mais escuro, aparecendo um rio vermelho que empurra o sol para baixo. Com searas amarelas que abanam com o vento, os pontes eléctricos acompanham-me e os seus fios parecem estar a ganhar uma corrida que se eu a continuasse, nunca acabaria.
Uma curva e as searas desaparecem e de um lado e de outro aparecem troncos verdes que se abraçam debaixo do céu e que fazem com que o meu céu seja verde. Saí de casa à duas horas, casa que comprei com o meu sacrificio mas que nunca enchi com gente. Com gente que fosse importante para mim, sim, tive lá as minhas festas...que no fundo não eram minhas.
Lembro-me de ficar no quarto às escuras de braços cruzados e com a cabeça no meio dos joelhos. Então aparecia a Laura a perguntar se estava tudo bem comigo. A Laura, a unica que...se as coisas fossem diferentes. Talvez, talvez se eu voltar aqui noutra pessoa nos possamos encontrar outra vez, talvez eu ultrapasse a imensidão dos olhos dela, talvez eu seja capaz de lhe dirigir alguma palavra. Talvez eu diga alguma coisa para além de "desculpa". Ela perguntava-me sempre : "Desculpa porquê?"
Respondia "Nada." mas queria-me desculpar por ser fraco e não te dizer o que não sabia que te queria dizer. Não sabia o que dizer, nunca soube.
Tremia enquanto cortava à direita para entrar na auto-estrada, o copo de whisky abanava de um lado para o outro do tablié sem nunca entornar, estava-me a por mal disposto...ou o abanar do copo ou que esteve dentro dele e que agora estava dentro de mim. Acabo com ele e mando-o borda fora.
Não há luz ao fundo do tunél, não há tunél...não há nada, não tenho nada.
Os 100 à hora passam a zero depois de alguns segundos a carregar no travão com toda a força que tinha. Oiço um "Filho da puta" que esmorece no vento.
Parado na auto-estrada, já é noite...viro o carro para o caminho de onde vim...acelero, carros, pessoas desviam-se de mim...vou rápido até encontrar alguém que me tire daqui.



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Yours sincerely...............Kid_d

terça-feira, junho 06, 2006

Para o que ha-de vir.

Olá.
Blog de vidas ou histórias das quais gostavamos ou não de ser os protagonistas.
Cada um tem a sua pancada, por isso nós não podemos deixar de ter a nossa.
Espero que nos perdoem por isso. Que não nos queimem na fogueira. E já agora apesar de não ser essencial que comentem qualquer coisa. Quer seja para nos glorificar ao ponto de nos porem num pedestal, de sermos deuses neste mundo de pessoas iguais...ou, quer seja para nos insultarem, rogarem pragas ou ameaçar de morte às nossas familias.
Para uma coisa ou para outra, não deixem de deixar uma frase que provavelmente nem terá nexo no nosso blog... se não, who gives a fuck?!



"Para o que à de vir nunca estarei preparado nem é preciso estar, porque o que terá de vir virá, não é preciso procurar nada ou fazer força para que algo aconteça. No momento em que se respira pela primeira vez o nada que dantes éramos transforma-se em fumo que escreve o que iremos ser até acabarmos de o ser.
Não sabemos onde é escrito, por quem é escrito ou o que é que lá está escrito.....mas o que está escrito é cumprido sem a minima exitação...a escolha é apenas uma ilusão para nos fazer esboçar um pequeno sorriso de poder, dando-nos a ideia de que temos algum poder nas nossas vidas.
"Se eu tenho dois caminhos sou plenamente livre de escolher o que quiser."
Contudo essa escolha já foi feita por alguém ou por alguma coisa maior que tu...não tens hipotese és uma marioneta, uma marioneta sem um papel de destaque...somo figurantes.
Não somos a personagem principal de um filme pela qual torcemos e à medida que esperamos que não morra no fim do filme...isso não existe, morresse sempre no fim do filme...porque a vida não é nada, ou se é alguma coisa...é muito pouco."
Estes pensamentos assolavam a cabeça de Vicente, estava de tal modo envolto neste combate, nesta discussão sobre o que mais importava.....que não presta atenção no caminho que toma.
O resultado é ele pisar um cagalhão que no minimo tinha o tamanho da sua cabeça.
"O cão deve ter chorado para fazer isto"- disse Vicente enquanto olhava o pôr do sol.





Yours sincerely...............Kid_d