I only got this situation
Riscos brancos aparecem de dois em dois segundos dividindo o fio cinzento em dois caminhos, o que vai e o que vem.
Não vem ninguém e eu sou o unico a ir, neste carro que já teve dois donos que eu nunca vi, e cujo ar condicionado só funcionava com o meu vidro aberto. O vidro só se conseguia abrir se eu com uma mão rodasse o manipulo e com outra empurasse o vidro para cima, foi isso que fiz assim que entrei.
Os buracos no banco do carro fazem-me adivinhar o passado fumador do antigo dono do carro.
Será que ele fez viagens como esta? Será que viu o que vejo?
Vejo o céu a querer ficar mais escuro, aparecendo um rio vermelho que empurra o sol para baixo. Com searas amarelas que abanam com o vento, os pontes eléctricos acompanham-me e os seus fios parecem estar a ganhar uma corrida que se eu a continuasse, nunca acabaria.
Uma curva e as searas desaparecem e de um lado e de outro aparecem troncos verdes que se abraçam debaixo do céu e que fazem com que o meu céu seja verde. Saí de casa à duas horas, casa que comprei com o meu sacrificio mas que nunca enchi com gente. Com gente que fosse importante para mim, sim, tive lá as minhas festas...que no fundo não eram minhas.
Lembro-me de ficar no quarto às escuras de braços cruzados e com a cabeça no meio dos joelhos. Então aparecia a Laura a perguntar se estava tudo bem comigo. A Laura, a unica que...se as coisas fossem diferentes. Talvez, talvez se eu voltar aqui noutra pessoa nos possamos encontrar outra vez, talvez eu ultrapasse a imensidão dos olhos dela, talvez eu seja capaz de lhe dirigir alguma palavra. Talvez eu diga alguma coisa para além de "desculpa". Ela perguntava-me sempre : "Desculpa porquê?"
Respondia "Nada." mas queria-me desculpar por ser fraco e não te dizer o que não sabia que te queria dizer. Não sabia o que dizer, nunca soube.
Tremia enquanto cortava à direita para entrar na auto-estrada, o copo de whisky abanava de um lado para o outro do tablié sem nunca entornar, estava-me a por mal disposto...ou o abanar do copo ou que esteve dentro dele e que agora estava dentro de mim. Acabo com ele e mando-o borda fora.
Não há luz ao fundo do tunél, não há tunél...não há nada, não tenho nada.
Os 100 à hora passam a zero depois de alguns segundos a carregar no travão com toda a força que tinha. Oiço um "Filho da puta" que esmorece no vento.
Parado na auto-estrada, já é noite...viro o carro para o caminho de onde vim...acelero, carros, pessoas desviam-se de mim...vou rápido até encontrar alguém que me tire daqui.
Yours sincerely...............Kid_d
Não vem ninguém e eu sou o unico a ir, neste carro que já teve dois donos que eu nunca vi, e cujo ar condicionado só funcionava com o meu vidro aberto. O vidro só se conseguia abrir se eu com uma mão rodasse o manipulo e com outra empurasse o vidro para cima, foi isso que fiz assim que entrei.
Os buracos no banco do carro fazem-me adivinhar o passado fumador do antigo dono do carro.
Será que ele fez viagens como esta? Será que viu o que vejo?
Vejo o céu a querer ficar mais escuro, aparecendo um rio vermelho que empurra o sol para baixo. Com searas amarelas que abanam com o vento, os pontes eléctricos acompanham-me e os seus fios parecem estar a ganhar uma corrida que se eu a continuasse, nunca acabaria.
Uma curva e as searas desaparecem e de um lado e de outro aparecem troncos verdes que se abraçam debaixo do céu e que fazem com que o meu céu seja verde. Saí de casa à duas horas, casa que comprei com o meu sacrificio mas que nunca enchi com gente. Com gente que fosse importante para mim, sim, tive lá as minhas festas...que no fundo não eram minhas.
Lembro-me de ficar no quarto às escuras de braços cruzados e com a cabeça no meio dos joelhos. Então aparecia a Laura a perguntar se estava tudo bem comigo. A Laura, a unica que...se as coisas fossem diferentes. Talvez, talvez se eu voltar aqui noutra pessoa nos possamos encontrar outra vez, talvez eu ultrapasse a imensidão dos olhos dela, talvez eu seja capaz de lhe dirigir alguma palavra. Talvez eu diga alguma coisa para além de "desculpa". Ela perguntava-me sempre : "Desculpa porquê?"
Respondia "Nada." mas queria-me desculpar por ser fraco e não te dizer o que não sabia que te queria dizer. Não sabia o que dizer, nunca soube.
Tremia enquanto cortava à direita para entrar na auto-estrada, o copo de whisky abanava de um lado para o outro do tablié sem nunca entornar, estava-me a por mal disposto...ou o abanar do copo ou que esteve dentro dele e que agora estava dentro de mim. Acabo com ele e mando-o borda fora.
Não há luz ao fundo do tunél, não há tunél...não há nada, não tenho nada.
Os 100 à hora passam a zero depois de alguns segundos a carregar no travão com toda a força que tinha. Oiço um "Filho da puta" que esmorece no vento.
Parado na auto-estrada, já é noite...viro o carro para o caminho de onde vim...acelero, carros, pessoas desviam-se de mim...vou rápido até encontrar alguém que me tire daqui.
Yours sincerely...............Kid_d
